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Aterosclerose
Aterosclerose, grosso modo, significa endurecimento e espessamento da parede do vaso sangüíneo. Esta é uma definição incompleta e simplória, contrapondo a complexidade dos eventos que ocorrem e culminam na formação da placa atrosclerótica.
No passado, se achava que a placa aterosclerótica ocorria por decorrência do acúmulo simples de gordura na parede dos vasos sangüíneos.
Hoje se sabe que o processo é mais complexo e envolve, além do acúmulo de gordura na parede vascular, uma reação inflamatória crônica no local de maior acúmulo destas substâncias gordurosas.
Isto pode levar, entre outras coisas, ao estreitamento do vaso sangüíneo, trombose (coagulação do sangue) vascular local e até embolização (migração de pedaços da placa na corrente sangüínea) para locais distantes (como por exemplo o cérebro). Em última análise, o processo de obstrução das artérias leva à falta de circulação (em diversos níveis) aos órgãos afetados.
É uma doença que pode ocorrer em qualquer artéria do corpo e multifocal e pode apresentar-se como problema clínico em alguns locais anatômicos preferenciais, às vezes, em mais de um local ao mesmo tempo e que progride ao longo do tempo.
Tende a ocorrer mais intensamente a partir da sexta década de vida mas, fatores genéticos, individuais e/ou ambientais podem interferir no processo e no tempo de aparecimento das lesões.
Por ser multifocal, muitos estudos epidemiológicos e clínicos têm mostrado intensa associação entre diversas doenças cardiovasculares. Por exemplo: estudos populacionais têm mostrado que 46% a 53% dos pacientes com doença vascular periférica obstrutiva (entenda-se qualquer doença que prejudique a circulação arterial do organismo, notadamente nos membros inferiores) apresentam também acometimento coronariano (circulação cardíaca) ou cerebrovascular (circulação cerebral).
Por outro lado, até 40% dos pacientes com doença cerebrovascular apresentam algum grau de insuficência arterial periférica obstrutiva. Desta forma, o cirurgião vascular tem que estar atento às possibilidades do paciente com doença vascular periférica obstrutiva apresentar problemas cardiológicos e/ou neurológicos de origem vascular. Assim como os cardiologistas e neurologistas devem prestar mais atenção à possibilidade de seus pacientes apresentarem algum grau de acometimento vascular arterial obstrutivo.
